terça-feira, 5 de agosto de 2008

A Banda, “The Band’s visit”

Fui presenteado com uma jóia, um filme escolhido por minha mulher, ao qual eu fui sem saber do que se tratava, esperando uma chatice. Coisa metida à boa, nessa leva de divulgação de cultura árabe, sobre as coisas relativas a povos tão diferentes de nossos costumes. Percebemos muito pouco dessas culturas distantes, da mesma forma que para muitos somos vistos como um bando de índios, terra de turismo sexual, futebol etc. Foi surpreendente ver deparados frente a frente, Egípcios e Judeus em uma situação inusitada. A barreira histórica entre povos de história entremeada e marcante para ambos, sendo retirados de seus contextos e colocados como se nus e solitários em um mundo hostil onde qualquer possibilidade de afeto reluz como uma migalha abençoada. Costumes e histórias individuais, misturando-se com o devido respeito às circunstâncias de exposição à solidão parte da miséria humana. Dispostos em um ambiente afastado, mas provido do necessário a dignidade material humana, com o conforto básico necessário, porém isolados do calor humano. Temos em nossa terra uma sensação diferente, de muito calor humano, mas um desrespeito entre grupos ou classes. Vivenciamos uma “alegria contagiante” explícita que esconde o preconceito camuflado. Senti o ser humano em seu mais intimo respeito ao semelhante. O respeito de quem expõe a miséria comum na perplexidade de sua realidade nua e crua. Vemos a capacidade de auto limitar o nível de exigência de seus direitos e conceitos, tornando-se receptivos e de extrema solicitude, por pura carência afetiva e necessidade de convívio social e afetividade. Foi muito bom ver a arte desempenhar seu papel fundamental a meu ver: questionar a vida, despertar o homem à se aperfeiçoar, enxergar-se. Levá-lo ao convívio sincero, honesto desprovido de envolvimentos grandiosos e interesseiros. Vi-me enxergando o homem como indivíduo, portanto um universo separado e respeitador da liberdade alheia. As coletividades, o anonimato, induzem a liberalidade, a impunidade, a assumirmos histórias que nos comprometem por herança. Poderíamos estudar cada personagem, mas não é o caso agora. Gostaria de dizer também que, é muito gozado.
O jardineiro

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