sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era novo,jovem
Hoje é antigo, e precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais teu pai falou: "She's leaving home"
E meteu o pé na estrada, "Like a Rolling Stone..."
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro...(loucura, chiclete e som)

Nunca mais você saiu a rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quede o cartaz ?
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Como Poe, poeta louco americano, eu pergunto ao passarinho:

Black bird, Assum Preto, o que se faz?"
E raven never raven never raven

Assum Preto, black bird me responde: "Tudo já ficou atrás"

E raven never raven never raven
Blackbird, Assum Preto, Assum Preto me responde:
O passado nunca mais"

E precisamos todos rejuvenescer

BELCHIOR.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa.
Não altera em nada...
Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas.
A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

Clarice Lispector

segunda-feira, 25 de agosto de 2008


É assim que te quero amor.

É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita de luz e pão e sombra,
eu te esperava, e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro.
Pablo Neruda.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Olho neles.
Não esmoreça, a despeito dos exploradores, a canalha que usurpa nosso povo, permaneça atento. Não se entregue quando disserem que o Brasil não tem jeito, tem sim, devemos lutar nas urnas por um Brasil melhor. Está claro quanto aos de ficha suja, agora fique atento a pelegada que explora nos sindicatos, os que aprovaram a lei da obrigatoriedade do imposto sindical, isto é um assalto!Se ligue nos jornais e fique atento, acompanhe a raça da antiga que vem roubando há muito tempo e não apresenta resultado. Seja Brasileiro, se orgulhe disso, nosso povo é o melhor do mundo, precisa saber disso, nosso país é o mais lindo e sempre foi rico. Não permita mais ser roubado, reclame seus direitos, não tenha vergonha de se defender. Fique atento a máfia, da polícia, da milícia, das drogas, leia os jornais, acompanhe os escândalos e anote os nomes para não esquecer. Se você se considera velho, mude por seus filhos, se você é novo aprenda desde cedo. A luta deve ser pacífica, porém firme, devemos grudar neles como carrapatos, acusar os ladrões!Traidores da nossa Pátria!

O jardineiro

Ficha suja! Não vote!








terça-feira, 19 de agosto de 2008



Pedir desculpas.

Dois fatos me chamaram atenção nessas olimpíadas, ocorridos com atletas brasileiros. Um rapaz que pediu desculpas à família por não haver chagado ao resultado esperado, li no jornal a declaração de sua mãe, de que ele pretendia oferecer com seu esporte trabalho, um meio de conforto à difícil vida dos pais. O outro foi um atleta de ginástica de solo que pediu desculpas ao povo brasileiro, por achar ter decepcionado, não conseguindo a vitória esperada. Vejam só a que ponto chegou, fiz esporte por bastante tempo ao longo de minha vida e sei da dificuldade imposta ao atleta. A vida do atleta no Brasil é simplesmente impossível. O esporte como qualquer atividade requer investimento, não só do indivíduo que se propõe a praticar, como também de uma infra-estrutura mínima necessária para atingir um resultado medíocre. O nível conseguido pelos atletas brasileiros que chegam a uma olimpíada deve-se unicamente a sua dedicação e perseverança a toda prova de si próprio e de suas famílias. Eles são como muitos brasileiros que em suas profissões buscam atingir um bom nível, porém não conseguem sequer o emprego inicial. Vivemos um país de arrecadação astronômica, onde é pungueado do trabalhador direto em folha, absurdos e através de impostos pelos quais, somos de tal forma espremidos que nos vemos obrigados a pagar, até pela emissão dos vapores resultantes. Vimos vários atletas brasileiros disputarem por outros países, como vemos e sabemos do êxodo de brasileiros, por falta de ocupação em sua terra. Meus queridos, nós é que devemos pedir desculpas e agradecer por terem chegado lá, nossa vergonha é nossa ignorância e desunião, por estas sim devemos todos pedir desculpas e nos envergonharmos. Somos e seremos ainda por muito tempo uma terra de craques desconhecidos. Povo de potencial desperdiçado por uma elite corrupta e egoísta.
O jardineiro.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

171 Globalizado.

Somos participantes de uma infra-estrutura fantástica, a rede de acesso as empresas via internet, vivemos uma organização maravilhosa, quando iniciamos o contato e o uso de um cartão de crédito por exemplo. Seremos atendidos por pessoas eficientes, prestativas onde tudo é lindo e fácil. Venho a tempos juntando meus pontinhos para uma futura viagem, porém quando tenho tempo falta a grana, quando há grana falta o tempo e por aí vou aguardando a viagem sonhada. Estava agora me sentindo rico cheio de pontos, pensei então: vai ser agora! Liguei para o cartão, aí comecei a descobrir a realidade. Queria bailar uns tangos, beber uns vinhos, desfrutar de uns buenos assados.Aí começou o mistério. O pessoal que te atende na hora de usufruir as vantagens é outro e é daquele tipo “Senhor não podemos estar fazendo” a transferência sem o número tal, nome tal. Pacientemente ligo para a companhia faço tudo direitinho volto tomo uma canseira vem ela “Senhor não podemos estar fazendo” se não tiver o nome correto, o Sr tem certeza que é este o nome do registro?Não estou na dúvida, Então Sr, o Sr poderia “estar fazendo a confirmação” e retornar, a American Express agradece. Volto lá na TAM tomo outra canseira, espero confirmo o número o nome e volto. Eu sempre soube que o número de pontos para Buenos Aires, era vinte mil, ida e volta, para surpresa agora o Amex está cobrando 20% a mais pela viagem pela Tam, os caras mudaram e não avisam, é isso aí problema teu. Oferecem a Varig mais barato, só que lá ninguém atende no tal de smiles, claro então você dança novamente. Gardelon argentino é pixote, aqui estamos com uma rede de enrolação de primeira, uma cambada de 171 de qualidade. As empresas têm uma sistema de defesa contra o cliente, quando o mesmo quer usar seus direitos.Os caras querem por que querem, os meus pontos, há pouco tempo me ofereciam semanalmente, se eu não queria doar meus pontos, para os pobrezinhos de um orfanato, uma desfaçatez, uma empresa enorme querendo fazer “caridade” as minhas custas, ligavam com voz estudada e como eu não aceitava se despediam com voz de quem falou com algum canalha egoísta, me constrangendo, um absurdo. Ai eu dizia por que o Amex deveria doar do bolso deles , pois eram ricos e eu um cidadão comum, que quer seus pontinhos, não me enche o saco.O mais interessante que descobri agora, é que estes filhos de uma boa mãe, desvalorizaram meus pontos por conta deles , mudaram o contrato à revelia, pois a TAM diga-se de passagem está correta,continua cobrando o mesmo valor. Fiz então pelo cartão de minha mulher, que é Master Card pelos mesmos vinte mil. Agora estou achando que eles vão armar um jeito de me tomar estes pontos de qualquer maneira. Será que estou errado? Ou eles são realmente especialistas em nos fazerem de babacas?

O jardineiro (de saco cheio)

sábado, 16 de agosto de 2008

LSD. Altas imagens.
O cara me contou a descoberta tecnológica da mãe dele, a “velha”, segundo as palavras dele, tinha agora um novo sonho de consumo. Estava maravilhada com uma nova televisão de tela de LSD, tinha umas cores geniais, pareciam imagens surreais, um colorido chocante, é tô sabendo...disse ele,quase lisérgico, definiu . Manteve a calma e comentou, estou sabendo LSD, nova tecnologia,não seria LCD?não? Legal. Pensou... por onde essa minha mãe andou? Sei lá, anos setenta muita novidade , deixa pra lá...
LSD... Televisão, maneiro brother! Ai legal mesmo mãe!Vai fundo, compra mesmo que é uma boa!
O jardineiro.


sexta-feira, 15 de agosto de 2008


Liberou geral!

Atenção a canalha de plantão, liberou geral! Pode se candidatar que está limpeza agora, qualquer um, qualquer ficha suja.
O perigo agora é cada vez maior para os que tem ficha limpa, estes quem sabe, podem ser: um careta, um X9. Aquele negócio que ouvi uma vez de um cara que sempre foi um otário, mas abrigava o sonho de ser malandro. Gostava de emoções fortes, invejava minha vida dura, que transcorria em altos e baixos. O infeliz achava emocionante. Era um sujeito de origem rica, pais abastados, riqueza oriunda de muito trabalho, dos pais é claro. Certa vez me convidou para um negócio e veio a descobrir que eu era honesto, pasmem se decepcionou, começou a me tratar como se eu fosse um idiota, porque eu gostava de tudo certinho. Conclusão perdeu bastante dinheiro no negócio. Lembro-me do meu querido Jorge “se malandro soubesse como é bom ser honesto, seria honesto, só por malandragem”, ai, ai caramba!
Mas voltando ao mundo real, e agora? Sei lá, às vezes penso em qualquer hora não vai dar sequer pra escrever blog! Os caras descobrem a gente e passam o rodo!
Melhor ser jardineiro.
O jardineiro.

quarta-feira, 6 de agosto de 2008


O cheiro.
Ô dia muquirana, dia marrento, vacilei num devia ter vindo, o biscate de limpar peixe fedia e não rendia nada. Tentei na calçada arrumar um qualquer ajeitando vaga. As madames chegavam, saiam cheias de medo, agora não adianta mais fazer cara legal, ninguém nem olhava , baixavam a cabeça faziam não ver. Chegou ela, parou o carrão, encostei, gelei parecia novela, que mulherão eu pensei, não é pro meu bico, mas posso olhar. Quando saltou cheguei perto só pra sentir o cheiro, me encostei, respirei tudo, que coisa gostosa me arrepiei, parei, só olhei ela riu...pra mim! quem sou eu?Falei logo pode deixar que eu olho, vou tomar conta. Foi andando arrumando a bolsa, balançando o lombo pra lá e pra cá, fiquei olhando até sumir, entrou no mercado, sumiu. Fiquei sonhando, que avião! Guardei na memória nunca vou esquecer. Quando olhei pra baixo vi a carteira no chão, será que era dela, nem vi cair. Peguei tava cheia, olhei pro lado pensei em vazar, vou fugir, lembrei dela, deve ser dela, abri olhei o retrato era ela, me apaixonei, vou devolver. Quando olhei novamente lá estava ela apontando pra mim, senti medo, maloquei a carteira, sem eu dar conta tomei uma tapa na orelha, veio de traz, eu caí, o melado desceu do nariz, fiquei tonto quando olhei pra cima, chutaram minha boca, ela chegou viu a carteira no chão e gritou ...é ladrão! me pegaram pelo rabo jogaram dentro do camburão. Os homens saíram a sirene tocou, ai eu lembrei... o cheiro era bom!
E. Duarte.
O suor e a lágrima

Fazia calor no Rio, 40 graus e qualquer coisa, quase 41. No dia seguinte, os jornais diriam que fora o mais quente deste verão que inaugura o século e o milênio. Cheguei ao Santos Dumont, o vôo estava atrasado, decidi engraxar os sapatos. Pelo menos aqui no Rio, são raros esses engraxates, só existem nos aeroportos e em poucos lugares avulsos.Sentei-me naquela espécie de cadeira canônica, de coro de abadia pobre, que também pode parecer o trono de um rei desolado de um reino desolante. O engraxate era gordo e estava com calor — o que me pareceu óbvio. Elogiou meus sapatos, cromo italiano, fabricante ilustre, os Rosseti. Uso-o pouco, em parte para poupá-lo, em parte porque quando posso estou sempre de tênis.Ofereceu-me o jornal que eu já havia lido e começou seu ofício. Meio careca, o suor encharcou-lhe a testa e a calva. Pegou aquele paninho que dá brilho final nos sapatos e com ele enxugou o próprio suor, que era abundante.Com o mesmo pano, executou com maestria aqueles movimentos rápidos em torno da biqueira, mas a todo instante o usava para enxugar-se — caso contrário, o suor inundaria o meu cromo italiano.E foi assim que a testa e a calva do valente filho do povo ficaram manchadas de graxa e o meu sapato adquiriu um brilho de espelho à custa do suor alheio. Nunca tive sapatos tão brilhantes, tão dignamente suados.Na hora de pagar, alegando não ter nota menor, deixei-lhe um troco generoso. Ele me olhou espantado, retribuiu a gorjeta me desejando em dobro tudo o que eu viesse a precisar nos restos dos meus dias.Saí daquela cadeira com um baita sentimento de culpa. Que diabo, meus sapatos não estavam tão sujos assim, por míseros tostões, fizera um filho do povo suar para ganhar seu pão. Olhei meus sapatos e tive vergonha daquele brilho humano, salgado como lágrima.
Carlos Heitor Cony

O texto acima foi publicado no jornal “Folha de São Paulo”, edição de 19/02/2001, e faz parte do livro “Figuras do Brasil – 80 autores em 80 anos de Folha”, Publifolhas – São Paulo, 2001, pág. 319, organização de Arthur Nestrovski.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

A Banda, “The Band’s visit”

Fui presenteado com uma jóia, um filme escolhido por minha mulher, ao qual eu fui sem saber do que se tratava, esperando uma chatice. Coisa metida à boa, nessa leva de divulgação de cultura árabe, sobre as coisas relativas a povos tão diferentes de nossos costumes. Percebemos muito pouco dessas culturas distantes, da mesma forma que para muitos somos vistos como um bando de índios, terra de turismo sexual, futebol etc. Foi surpreendente ver deparados frente a frente, Egípcios e Judeus em uma situação inusitada. A barreira histórica entre povos de história entremeada e marcante para ambos, sendo retirados de seus contextos e colocados como se nus e solitários em um mundo hostil onde qualquer possibilidade de afeto reluz como uma migalha abençoada. Costumes e histórias individuais, misturando-se com o devido respeito às circunstâncias de exposição à solidão parte da miséria humana. Dispostos em um ambiente afastado, mas provido do necessário a dignidade material humana, com o conforto básico necessário, porém isolados do calor humano. Temos em nossa terra uma sensação diferente, de muito calor humano, mas um desrespeito entre grupos ou classes. Vivenciamos uma “alegria contagiante” explícita que esconde o preconceito camuflado. Senti o ser humano em seu mais intimo respeito ao semelhante. O respeito de quem expõe a miséria comum na perplexidade de sua realidade nua e crua. Vemos a capacidade de auto limitar o nível de exigência de seus direitos e conceitos, tornando-se receptivos e de extrema solicitude, por pura carência afetiva e necessidade de convívio social e afetividade. Foi muito bom ver a arte desempenhar seu papel fundamental a meu ver: questionar a vida, despertar o homem à se aperfeiçoar, enxergar-se. Levá-lo ao convívio sincero, honesto desprovido de envolvimentos grandiosos e interesseiros. Vi-me enxergando o homem como indivíduo, portanto um universo separado e respeitador da liberdade alheia. As coletividades, o anonimato, induzem a liberalidade, a impunidade, a assumirmos histórias que nos comprometem por herança. Poderíamos estudar cada personagem, mas não é o caso agora. Gostaria de dizer também que, é muito gozado.
O jardineiro

sexta-feira, 1 de agosto de 2008


Soneto do Orfeu

São demais os perigos dessa vida
Para quem tem paixão, principalmente
Quando uma lua surge de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar, que atua desvairado
Vem unir-se uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher

Uma mulher que é feita de música
Luar e sentimento, e que a vida
Não quer, de tão perfeita

Uma mulher que é como a própria lua:
Tão linda que só espalha sofrimento,
Tão cheia de pudor que vive nua.

Vinicius de Moraes